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From Omowale Pan-African Library, posted by Dwayne Wong (Omowale)

Brazil's Congress debates a Statute of Racial Equality

Dwayne posted this broadcast of Mulheres no Parlamento, a program on TV Câmara, to his channel. He does not speak in it. Watch it on his channel, where the comments are.

A segment of Mulheres no Parlamento, a program on TV Câmara, the channel of Brazil’s Chamber of Deputies, marking the UN’s International Day for the Elimination of Racial Discrimination, 21 March. A clip shows Minister Matilde Ribeiro telling Congress that the pending Statute of Racial Equality “provocará mudança na condução da política pública” (will change how public policy is carried out).

The host, Vera, asks Deputy Ana Alencar, PSDB-Tocantins, and Edna Roland, UNESCO’s coordinator against racism in Brazil, whether a fund is the way to pay for the statute. Alencar answers: “sem o fundo não se faz nada sem recurso” (without the fund, nothing gets done without resources).

Roland says Black people are 45 percent of Brazil’s population, and that “esta dívida histórica seja resolvida, seja paga, seja reparada” (this historic debt must be resolved, paid, repaired). She calls the statute the main legislative instrument for it. In a taped interview, Senator Paulo Paim, the bill’s author, reports its progress through the Senate and the Chamber.

Transcript

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Transcribed by We Them Media from the audio Dwayne posted, with his permission. Speaker letters mark turns, as the model separated them.

These are the speakers’ own words. We have not checked their claims.

0:05AEstamos de volta com o programa Mulheres no Parlamento. Hoje recebemos a deputada Ana Alencar, do PSDB do Tocantins, e a coordenadora da UNESCO para o combate ao racismo e à discriminação no Brasil, Edna Roland. O Dia Internacional pelo Fim da Discriminação Racial, comemorado em 21 de março, foi instituído pela ONU para lembrar um massacre na África do Sul em 1960. Naquela data, 69 negros foram assassinados por policiais quando participavam de uma manifestação contra o apartheid, regime de segregação imposto pelo governo branco sul-africano contra a maioria negra do país. Este ano, no Brasil, a Secretaria de Promoção da Igualdade Racial estendeu a comemoração do 21 de março e organizou vários eventos ao longo do mês. A ministra Matilde Ribeiro esteve aqui no Congresso Nacional, um ato público em homenagem à data, e falou sobre o estatuto. Vamos ver.

1:01BO Estatuto da Igualdade Racial, ele também será uma peça legal potente porque ele obrigará o Estado a aplicar o conceito das ações afirmativas nas suas ações políticas. Então o ganho Não será imediato no sentido da melhoria da qualidade de vida, mas a lei provocará mudança na condução da política pública. Em médio e longo prazo, nós teremos a população negra cada vez mais incluída na vida política, na vida pública do país. Nós temos um principal ponto polêmico, que é a formulação da existência de um fundo para garantir o Estatuto da Igualdade Racial. Nós, enquanto governo, estamos dizendo sempre que é muito importante que todas as políticas sejam financiadas, porque não tem política sem uma estrutura financeira que a comporte. Estamos debatendo com os parlamentares e também com o movimento social se o fundo é o melhor caminho. Nós sabemos da importância do financiamento da política.

2:10AEu queria ampliar então essa pergunta: o fundo e as cotas são o melhor caminho? Resolver essa questão no Brasil, deputada?

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2:16CNão digo o melhor caminho, mas sem o fundo não se faz nada sem recurso. Movimentação, qualquer atividade que for, capacitação, maior incentivo para que as adolescentes, as crianças não deixem de estudar para trabalhar, tudo isso depende de um fundo, depende de recurso. Sem dúvida é fundamental o fundo.

2:37AO fundo é mesmo fundamental também para a senhora?

2:39DO fundo é fundamental, ele é importante para que se possa ter uma reserva de recursos capaz de garantir a execução dessas políticas. Eu estaria disposta a conversar se se pretender ampliar o apoio, ampliar o apoio à execução das políticas de promoção da igualdade racial. Nós temos dois casos na Constituição Federal em que nós temos a vinculação de verbas para a execução de determinadas políticas, que é o caso da educação e o caso da saúde. Se porventura o Poder Executivo e o Congresso Nacional estiverem dispostos a vincular recursos de uma forma mais ampla do que um fundo para que as políticas de promoção da igualdade racial sejam garantidas, inclusive constitucionalmente no Brasil, eu estaria disposta a enfrentar este debate, essa discussão. Todavia, eu sei que exige um grau de disposição política ainda muito maior do que o grau de disposição para a criação do fundo. Portanto, eu Eu considero que o fundo que está previsto na proposta do Estatuto da Igualdade Racial é o patamar mínimo para se discutir a questão da possibilidade da execução de políticas que reduzam a desigualdade racial.

3:59ADeputada, o fundo ele seria criado, seria mantido a partir, além do dinheiro público que viria da verba pública anual, também de doações, enfim. A senhora acredita que numa votação em plenário, numa votação aqui na casa, população e os deputados ligados, que são contra o fundo, eles teriam facilidade para aprovar esse tipo de medida, criação de fundos que estariam ligados aí para a população, aumento de impostos?

4:28CApesar de ter assumido há pouco tempo e ainda estar numa fase de aprendizado do parlamento, eu ainda acredito não só nos parlamentares, eu acredito no ser humano. E a partir do momento que tiver um debate sobre a criação de um fundo para que a desigualdade racial seja diminuída no país, eu acho que o parlamentar que se considera antes de tudo ser humano, ele não vai ser contra. Eu acho ainda mais que não cria nenhum novo imposto, que não tem nada. Eu tenho certeza da aprovação desse fundo.

5:01AEu conversei com, ainda sobre a tramitação no Congresso Nacional, aqui na Câmara, sobre a aprovação do estatuto, eu conversei com ex-deputado e atual senador Paulo Paim, autor do projeto do estatuto. Ele explicou como está a tramitação da lei aqui no Congresso. Vamos ver.

5:16ENós estamos trabalhando, digamos, com duas táticas, né? Ele tá no Senado e na Câmara. O Senado eu já aprovei na Comissão de Economia, na Comissão de Educação, e aprovo nesse mês agora de abril na Comissão de Assuntos Sociais. Eu diria que na Câmara tá até mais avançado, nós aprovamos na comissão especial, tá pronto para ser votado no plenário. O relator é o Reginaldo Germano e em seguida ele vai para o Senado. Mas independente disso, o que for aprovado primeiro, o outro é pensado.

5:46AAgora, o presidente da Câmara, o deputado Severino Cavalcanti, se comprometeu com a ministra Matilde Ribeiro da CPI em colocar o estatuto em votação ainda em março. Isso não aconteceu, houve aí problema da 232 que trancou a pauta, enfim. Foi difícil de passar pelo Congresso e os deputados estão confiantes de que até maio isso possa acontecer, o Estatuto possa ser aprovado. Deputada, a senhora acredita nisso? A Edna também espera isso, porque eles querem que até novembro o projeto tenha sido sancionado, a lei tenha sido sancionada pelo presidente Lula.

6:15DCom certeza, Vera. Considerando inclusive que este ano foi declarado como o Ano Nacional de Promoção da Igualdade Racial, é fundamental que o Parlamento aprove este ano o Estatuto da Igualdade Racial. Eu creio que esta é a dívida histórica mais importante que o Brasil tem com uma parcela significativa da sua população, né? 45% da população brasileira é constituída por negros e nesta data, neste ano, é necessário que este passo fundamental seja dado. É preciso que esta dívida histórica seja resolvida, seja paga, seja reparada. E o Estatuto é o principal instrumento legislativo que nós dispomos e através dele uma parcela significativa da população negra terá acesso a direitos que lhes são garantidos constitucionalmente.

7:02AAgora, o estatuto, ele se restringe, apesar dele ter esse nome, Estatuto da Igualdade Racial, ele se restringe a direitos ligados à população afrodescendente no Brasil. Os indígenas, por exemplo, não estariam incluídos aí nessa questão do estatuto. Deputada, qual é a posição do seu partido em relação ao estatuto?

7:21COlha, é com certeza favorável, né? Não tem nenhuma dúvida disso. Apesar de Como nós estamos nessa entrevista e hoje é um dia difícil de entrar em contato e a gente não teve esse tempo com todos, a bancada é grande, mas nós temos a crença de que todos são favoráveis. Até porque nós já dissemos aqui que não é um projeto de lei, aprovação desse estatuto, que vai trazer nenhum malefício ou nenhuma discordância, nenhuma polêmica, uma coisa que só vai beneficiar, como a Edna disse, uma grande parcela da população.

8:02AEdna, vamos esclarecer rapidamente então essa questão dos indígenas, né? Ele não está abordando a questão dos indígenas, vai ser abordada num outro momento, existe um outro projeto de lei aqui na casa que vai tratar sobre isso, embora o nome talvez aí do estatuto não seja o mais adequado, é isso?

8:15DIsso, Vera. O Estatuto da Igualdade Racial, ele foi concebido a partir dos problemas que são enfrentados pela população negra no Brasil. Os povos indígenas, eles dispõem de um outro instrumento que vem sendo discutido no Parlamento, que é exatamente o Estatuto do Índio, e que lamentavelmente ainda não foi aprovado. É preciso que isso seja acelerado, é preciso que os povos indígenas tenham a garantia dos seus direitos. Mas a maneira como o Estatuto foi concebido leva em conta o problema dos quilombos, que é um problema da população negra, leva em conta o problema das religiões afro-brasileiras, e portanto é necessário que se garanta este conteúdo, esta destinação que determinou a sua concepção, né? Com isso não se quer dizer que qualquer outro grupo social que seja vítima de discriminação não mereça a atenção das políticas públicas, né? Mas é necessário que a gente atente para as especificidades do problema de cada grupo étnico e racial que compõe a população brasileira.

9:17AOk, vamos para mais um intervalo. Mulheres no Parlamento volta já.

That was the whole recording.

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